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História

História

Terra de Santa Cruz

As origens da ocupação das terras banhadas pelo Rio Trairi datam desde 1741, com a ocupação das terras próximas do Riacho do Inharé, em um dos afluentes do Trairi, o Rio Inharé. As primeiras famílias aparecem em registros do município de Cuité/PB, onde muitos dos primeiros habitantes buscavam suprir suas necessidades espirituais, bem como as atividades cartoriais, que eram de responsabilidade da Igreja Católica.

Não existe uma precisão de quando o nome Santa Cruz passou a ser utilizado para se referir ao local. Os escritos de Dr. Manoel Dantas, que tem uma vasta obra sobre o Rio Grande do Norte, contam que o inharé era sagrada e atraía grandes males caso algum de seus galhos fosse quebrado. Certo dia, um missionário, sabendo dessa situação, resolveu visitar o povoado e mandou erguer uma cruz, feita dessa árvore. Em frente à capela de Santa Rita, em um grande buraco, foram enterradas as armas da população, por ordem do missionário, e ali erguido um cruzeiro feito de inharé.

Fora do universo do imaginário popular, se fala de disputa entre famílias dominantes da região, nomes que encontramos nos vários abaixo-assinados da época. Isso é reforçado por relatos em Serra de São Bento e Nova Cruz, quando o Frei Serafim de Catânia pediu que a população jogasse suas armas aos pés daquele cruzeiro. Geralmente, era feito uma grande vala onde as armas eram enterradas e o cruzeiro construído sobre elas.

Ainda existe a versão de que esses malefícios citados na lenda poderiam se referir aos períodos de grande estiagem, que no século XIX foram 26, com grande sofrimento para o sertanejo pelas baixas populacionais, além da morte de parte do rebanho.

A cruz do sagrado Inharé foi o que deu nome ao povoamento, se referindo ao lugar “da Santa Cruz”. O primeiro nome do Brasil foi Província de Santa Cruz, fazendo referência ao nosso primeiro símbolo de descobrimento, ainda mais reforçado com a celebração da Santa Missa, em 26 de abril, a primeira na terra recém-descoberta. Também era um costume dos católicos celebrar o “Dia da Santa Cruz”, comemorado em 3 de maio.

Santa Rita da Cachoeira

O Dicionário Geográfico do Brasil, de Alfredo Moreira Pinto, de 1894, apresenta a informação do Padre Antônio Rafael Gomes de Melo, que “em 1831, foram Lourenço da Rocha e seu irmão João da Rocha, junto com José Rodrigues da Silva que edificaram uma capela dedicada a Santa Rita de Cássia”. O Padre Antônio Rafael, uma das principais personalidades da história local, considera o ano de 1831 como a fundação da cidade, já o Conselho do Governo (da Província do Rio Grande) presidido por Joaquim José de Melo, promoveu o lugar à categoria de ‘Povoação”, com o nome de “Santa Cruz”.

Na evolução núcleos urbanos até se tornarem cidades ou municípios era uma linha do tempo muito longa. Primeiro se estabelecia o “curral”, que era a origem do que mais tarde seria uma “fazenda”, voltada para a criação de gado para abastecer o mercado açucareiro do litoral, onde estavam as grandes vilas e cidades. Esse povoamento ficou conhecido como “caminhos do gado”, origem cidades como Pau dos Ferros, Currais Novos, Caicó e Mossoró, por exemplo. Dessa fazendo surgia o “arraial”, que por sua vez ao crescer se transformaria em um “povoado” esse último ao concentrar muitos moradores se tornava uma povoação.

Se as fontes documentais registram a presença de fazendeiros na “ribeira do Trairi” desde o século XVII, é bem provável que por muitas décadas até os anos de 1820, essa área aumentou a sua população até se tornar o povoado de “Santa Rita de da Cachoeira”, mais tarde Freguesia de Santa Rita.

primeira missa no brasil

A cruz é um dos principais marcos de fundação do Brasil, quando a Igreja Católica era uma das instituições mais fortes na terra recém-descoberta.

mapa rn

Um mapa do século XVIII que já mostra a presença de Santa Cruz e do Rio Trairi com parte da cartografia da época.

No mapa mostra as principais vilas do período imperial, quando a Freguesia de Santa Rita pertencia ao município de São José de Mipibu.

A Criação da Paróquia

A provável data para construção da Capela de Santa Rita é nos anos de 1820. O Monsenhor Severino Bezerra conta um fato sobre o achado de uma telha com a inscrição 1825. Na demolição da capela centenária, teriam encontrado essa telha com a referida data, o que era comum para identificar as datas das construções.

Antes da construção da capela, Santa Rita deveria ser venerada na fazenda de alguma família fundadora. Mais tarde, com a construção da capela, a imagem deve ter sido levada para o povoado. Com o crescimento daquela localidade, uma lista com 86 assinaturas pedia a criação da Paróquia de Santa Rita, isso em 1835. Fazendo uma média do tamanho das famílias com a lista de assinaturas, em torno de 600 pessoas moravam na região do Trairi e Inharé.

A luta da população resultou em um abaixo assinado pedindo a criação da Paróquia, que recebeu o parecer assinado pelos deputados Pe. Antônio Xavier Garcia de Almeida, Pe. Pedro José de Queiroz e Sá e o Pe. Tomaz Pereira de Araújo, e aprovado pelo plenário da Assembléia Legislativa nos dias 12, 13 e 16 de março de 1835, sendo sancionado pelo Presidente da Província, nos termos seguintes:

Lei 24 de 27 de março de 1835

Eleva à categoria de Matriz a capela de Santa Rita, ereta na povoação de Santa Cruz da Ribeira do Trairí, e designa os limites.

Basílio Quaresma Torreão, Presidente da Província do Rio Grande do Norte; Faço fazer a todos seus habitantes que a Assembléia Legislativa Provincial Decretou e eu Sanciono:

Art. I – Fica elevada a categoria de Matriz a capela de Santa Rita, ereta na povoação de Santa Cruz da Ribeira do Trairí do município desta cidade.

Art. II – Os seus limites serão, pelo poente, os da Freguesia e Município de Acari; pelo norte, os da Freguesia da Cidade, com a freguesia e município de Extremoz até a do Potengí Pequeno. Por onde seguirá a divisão para nascente e daí do Potengí Pequeno em rumo a Caiçara de baixo inclusive no rio Trairí, e esta a Fazenda Carrapateira inclusive no rio Jacu, servindo o rio da parte d’quem de divisão com a Freguesia de Goianinha; para o sul, todo o terreno que pertencer a esta Província até encontrar com os limites do Acarí.

Art. III – O seu pároco perceberá os mesmos benesses e molumentos que percebem os da freguesia limítrofes, enquanto não houver lei em contrário.

Mando portanto a todas as autoridades, e quem o conhecimento e execução da referida lei pertencer, que a cumpram e façam cumprir imediatamente como nela se contém.

O secretário da Província a faça imprimir, publicar e correr.

Cidade do Natal aos 27 de março de 1835, décimo quarto da Independência do Império.

O Primeiro Padre

A Paróquia de Santa Rita ficou submetida ao município de São José de Mipibu, conforme a lei n° 31 de 30 de março de 1835.

De acordo com os registros paroquiais, após a criação da Paróquia de Santa Rita, em 1835, o bispo de Pernambuco, Dom João da Purificação Marques Perdigão, nomeou o padre João Soares da Veiga Albuquerque e Almeida, que foi chamado de “Vigário da Matriz de Santa Rita de Cácia do Trairi”. Percebam que a presença do nome do rio local é bem forte para identificar seu pertencimento, mesmo Santa Rita sendo a única padroeira de uma Paróquia no interior do RN por mais de um século.

João Soares da Veiga Albuquerque e Almeida teve seu paroquiato de 1836 a 1840, na sequência vem o João Jerônimo da Cunha. Podemos dividir “os governos paroquias” em Santa Cruz em alguns períodos: Primeiros anos de criação; transferência da sede para Serra de São Bento e Nova Cruz; os vigários da antiga capela; o paroquiato do Monsenhor Emerson; o paroquiato do Monsenhor Raimundo; e o período pós-Monsenhor Raimundo.

Os padres do primeiro período foram: João Soares da Veiga Albuquerque, João Jerônimo da Cunha, Antônio Tomaz Teixeira e Camilo de Mendonça Furtado. Este último foi responsável por um duro golpe para o povoamento recém-criado, a transferência da sede da Paróquia para outra localidade.

O primeiro administrador paroquial foi o padre João Soares da Veiga Albuquerque e Almeida, que ficou em Santa Cruz entre os anos 1836 até 1840.

Santa Cruz perde sua Paróquia

Insatisfeito com sua permanência em Santa Cruz, o Padre Camilo de Mendonça Furtado (quarto vigário da cidade) escreve uma carta ao bispo diocesano, Dom João da Purificação Marques Perdigão, em Recife, lastimando a qualidade da “capela insignificante” e “arruinada de tal sorte”. Com a Assembleia Provincial repleta de deputados que também eram padres ou com familiares de padres, não foi difícil a remoção para Serra de São Bento, apontada pelo Padre Camilo como o melhor local naquele momento para sede da Freguesia. O Bispo atende ao pedido e Santa Cruz fica sem ser Matriz da Paróquia por longos anos, precisamente de 27 de junho de 1849 a 24 de agosto de 1858.

Pela lei provincial 199, a capela de São Bento, na serra do Pires, atual município de Serra de São Bento, só poderia se tornar sede da Paróquia se atendesse às exigências do Padre Camilo. Em 1951, São Bento passa a ser a sede, mas logo em seguida o pároco consegue a transferência para Nova Cruz, na época distrito da Anta Esfolada.

Para Santa Cruz voltar a ser a sede da Paróquia foram muitas tentativas, mas a população não desistiu, e para isso contou com uma série de reformas na pequena capela criada pelos fundadores. Entre 1850 a 1865, o que formava a antiga capela da fundação se tornou um grande templo, a partir da antiga construção foi feito o corpo da Matriz, a nave central, do lado esquerdo foi erguida uma torre e colocado os sinos nela. Do mesmo lado também foi feito um amplo salão em comunicação com a torre e todo o corpo da igreja, chamado de “consistório da Matriz”. Nesse local funcionou a Câmara Municipal nos primeiros anos do município (criado em 11 de dezembro de 1876), por falta de sede própria para o governo. As eleições do período da Monarquia também funcionavam no consistório, que era um salão espaçoso e com janelas para rua, segundo os escritos do Monsenhor Severino Bezerra.

A antiga capela de portas de varas se tornou um templo de paredes grossas, de pedras e três portas da frente, sendo a porta da Capela transformada no arco-mor; em seu altar foi feito um teto revestido de tábuas de cedro, além do alto-relevo em orlas douradas. O Altar-Mor recebeu a bênção oficial em 11 de julho de 1869, pelo visitador diocesano, Padre Manoel Ferreira Borges, vigário de Goianinha.

Todas essas mudanças foram suficientes para o presidente da Província do Rio Grande do Norte, o sr. Antônio Marcelino Nunes Gonçalves conferir à Igreja de Santa Rita o título de Matriz, e consequentemente a sede da Paróquia, com o nome da “santa das causas impossíveis”.

Depois do período obscuro, Santa Rita voltava a ter a sua paróquia e resgatando mais ainda a fé e devoção dos seus paroquianos e cidades vizinhas. O que fortaleceu mais ainda as festividades da padroeira, agora com um templo de características barrocas, que no seu altar-mor ficava ornado com muitas flores pelos seus vários degraus, durante o novenário, ali também acendiam muitas velas para saudar a sua protetora.

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Igreja de Serra de São Bento, neste município funcionou a sede da Paróquia de Santa Rita por alguns anos.

antiga capela de santa rita rn

Igreja Matriz de Santa Rita após a reforma de 1850, que tornou uma pequena capela em um templo barroco colonial.

Conhecida como Capela Centenária, a primeira Matriz de Santa Rita foi demolida em 1954.

O Projeto de uma Nova Matriz

O Monsenhor Emerson Deodato Negreiros não está entre os grandes paroquiatos quando falamos em tempo de permanência na Paróquia de Santa Rita, mas conseguiu gravar o seu nome em definitivo na História com o protagonismo da construção de uma nova Igreja Matriz.

As fases do templo católico são desde a capelinha de porta de varas, depois um templo barroco que ficou ali por quase um século, e por fim a Matriz com ares de catedral. Esta última só foi possível porque o Monsenhor Emerson Negreiros lutou contra a mentalidade da época usando sua mente de visionário.

Quando pensou em construir a nova Igreja Matriz, a elite da época tratou de menosprezar o projeto, que era “enorme” para uma população bem pequena. Conforme os almanaques da época, a cidade tinha uma população de 2.000 habitantes em 1916, e 3.500 habitantes em 1930.

Nos anos de 1950, a população urbana também não deveria ser um número tão surpreendente. Segundo algumas fontes da época, o bispo daquele período, Dom Marcolino Esmeraldo de Souza Dantas, teria perguntado ao padre Emerson o porquê daquele templo grandioso a ser construído para uma população tão pequena. O pároco de Santa Rita respondeu “que algum dia a cidade iria crescer e precisaria de uma Igreja Matriz de grandes proporções”.

De acordo com os relatos encontrados, o terreno onde foi o primeiro cemitério da cidade, que depois virou campo de futebol, foi sondado para ser o local da construção da nova Matriz, assim existiria nos dias atuais uma capela centenária – digna de apresentação da nossa história e da devoção a Santa Rita – e um templo monumental e grandioso, com aspecto de catedral, que hoje representaria o “esplendor da santidade da excelsa padroeira na terra de Santa Cruz”.

Emerson coloca a Matriz Secular no chão, e ergue uma “catedral” sem planta ou direção de um engenheiro. Na reforma implementada pelo Padre Aerton Sales, no final dos anos 2000, os técnicos de construção civil ficaram impressionados com a grandeza do templo e segurança do mesmo.

Na reflexão desse episódio fica claro que a elite dos anos 1950 não aceitou ter duas igrejas, e admitiram a demolição de um templo secular de alto valor histórico. Fato comum até hoje em Santa Cruz, quando a sociedade acata atos patéticos com a nossa identidade e patrimônio. A cultura santa-cruzense é de destruição das suas marcas históricas e demolições do chamado “velho”, não encaram como registro e marca da evolução de um povo.

Emerson encerrou seu paroquiato em 1965 e foi para a Arquidiocese de Niterói. Faleceu a 3 de fevereiro de 1993, no Rio de Janeiro.

Monsenhor Emerson Negreiros
(1924-1993)

Altar da Igreja Matriz até 1954

Nova Igreja Matriz projetada por Monsenhor Emerson Negreiros.

A Demolição da Capela Centenária

O processo de demolição da Capela Secular, que tinha categoria de Igreja Matriz, começou inicialmente com a escavação das fundações do novo templo ao redor do antigo. A antiga Matriz era bem pequena comparada a nova obra, dessa forma o processo de construção foi lento e em várias fases.

Quando as paredes e colunas da nova Matriz estavam de pé foi iniciado um processo de demolição das torres, consistório e outras partes anexas da antiga construção. Quando a nave central estava coberta restou apenas o antigo altar-mor, de estilo barroco, que anos depois foi também demolido.

Emerson inicia a construção-demolição em 1954, por volta de 1958 faz a demolição de outras partes da antiga capela, mas não chega a comandar o final da obra, antes de ir para Niterói é deslocado para Natal. Toma posse na Paróquia de Santa Rita o Padre Raimundo Barbosa Gomes, em 14 de fevereiro de 1965. Para ele restou a colocação de todas as portas, piso, altar de mármore e concluir a torre da Igreja.

Para a readequação que o Monsenhor Raimundo executou, só em 5 de abril de 1982 que o relógio de quatro fases foi concluído, no alto da torre. Para Raimundo estava concluída, mas quem sabe quais outras ideias Monsenhor Emerson teria sugerido para incrementar a obra?

Alguns relatos nos trazem a informação que a nova Matriz teria uma ou até duas cúpulas para o projeto original. Essa ideia será concluída em 2019, quando o Padre Vicente Fernandes da Silva Neto, atual pároco de Santa Rita, deverá erguer uma cúpula para o alto da torre de 40 metros, após uma reforma inovadora das fachadas do templo.

Durante as festividades da padroeira, ao receber bispos de outras dioceses do Nordeste, a Igreja Matriz foi chamada de “Catedral de Santa Rita”, pela grandiosidade do templo, além da beleza e requinte no acabamento das reformas internas e externas. Um patrimônio inestimável para as futuras gerações.

Uma “Catedral” para Santa Rita

Na administração paroquial de Padre Aerton Sales da Cunha, a Matriz receberia a maior reforma em sua estrutura desde a construção. A primeira etapa foi concluída com inauguração do presbitério e capela do Santíssimo, no dia do aniversário de criação da Paróquia, em 27 de março de 2006.

A reestruturação proposta por Padre Aerton passou pela colocação de piso de granito em quase todos os espaços da Matriz, no altar, porcelanato na nave central e lateral, altares dos santos, novo sistema de som e iluminação, colocação de vitrais nas janelas, abertura de novos espaços para vitrais, portas, janelas e bancos em ipê, além da pintura.

A reforma modificou o estilo da Igreja Matriz, além de ampliar o seu presbitério e o altar-mor. Após esta, o templo ganhou os “ares catedráticos” que muitos sacerdotes e bispos elogiam a “casa de Santa Rita”.

No paroquiato de Padre Valtair Lira Lucas, também foram feitas melhorias, desta vez na torre da Igreja Matriz.

O Padre Vicente Fernandes assumiu a paróquia de Santa Rita em 26 de janeiro de 2011, e continuou com a política de reformas realizando melhorias e ampliações na Igreja Matriz. A colocação de mais vitrais e painéis contando a vida de Santa Rita na nave central, e a melhoria do sistema de iluminação concluíram uma primeira parte das melhorias.

Em 2016, após a Festa de Santa Rita de Cássia, o pároco Padre Vicente utilizou os recursos para reforma da parte externa. Com os projetos de acessibilidade, reconstrução das calçadas, iluminação externa, nova pintura e colocação de uma cúpula na torre central fazem parte de um projeto que tornou ainda mais majestosa a Igreja Matriz.

altar 1

Altar da Igreja Matriz até 2005, antes da reforma do paroquiato de Padre Aerton Sales.

Fotos da Igreja Matriz após a reforma de 2005, implementada pelo Padre Aerton Sales.

O Padre Vicente Fernandes colocou um vitral na cruz do presbitério, vitrais laterais com os evangelistas, construiu um pedestal para Nossa Senhora da Apresentação (no centenário de criação da Diocese de Natal).

Igreja Matriz após reforma das fachadas, nas obras de 2016. Foram colocados pontos de iluminação externa, pintura, acessibilidade, reconstrução da calçada e área externa da Matriz.

Com a nova iluminação externa, a edificação se destacou ainda mais na paisagem urbana de Santa Cruz, considerando também a sua localização privilegiada no coração do centro da cidade.

A cúpula da torre da Igreja Matriz

Entre os muitos projetos do Monsenhor Emerson Negreiros, a Igreja Matriz de Santa Rita teria uma cúpula em sua torre. Segundo relatos orais, o projeto pensado por ele era muito superior ao executado. Transferido com a nova matriz em construção, a torre do templo católico ainda não tinha tomado forma.

O Monsenhor Raimundo Gomes Barbosa, seu sucessor, não tinha a mesma percepção do projeto, e tratou de torná-lo mais econômico e simples. Mesmo assim a nova Igreja Matriz não tinha perdido sua forma majestosa e de dimensões de uma catedral. Não é possível mudar o curso da história, mas os projetos ousados de Monsenhor Emerson teriam feito da Matriz um templo ainda mais grandioso e exuberante daquele que foi concluído nos anos de 1960.

Ao pensar em um projeto de reforma da fachada, o Padre Vicente Fernandes colocou a instalação da cúpula na torre da Matriz. Uma primeira cúpula foi colocada em 20 de janeiro de 2018, mas como não combinou com a estética da torre foi retirada semanas depois. Uma segunda cúpula foi instalada em 1º de fevereiro de 2020. A torre mede 37 metros de altura, e somada com a cúpula esse valor chega aos 47 metros.

A cúpula tem 10 metros de altura, sendo o corpo dela 7 metros e a cruz 3 metros, tendo toda essa estrutura 1,2 toneladas. Com essa nova altura, continua sendo uma das edificações mais altas da cidade, além da posição geográfica privilegiada, no alto da colina do centro da cidade. A Igreja Matriz está erguida no mesmo local da primeira capela erguida pelos fundadores da cidade, nos anos de 1820.

Fotos aéreas de autoria de Adriano Neto
Texto da Revista O Roseiral 2019
De autoria do jornalista Wallace Azevedo

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